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Ação Felina Joujou Pessoas, Coisas e Animais: Gilberto Freyre Recordo-me de Joujou como se ele tivesse sido quase pessoa de minha casa, quase membro de minha familia, no tempo em que eu, solteiro, um tanto boêmio e sempre em viagens pela Europa e pelos EUA, vivia ainda no Recife com minha velha gente vida de filha e não ainda de pai. Entretanto, era esse Joujou um animal e as vezes chegava a parecer simplesmente uma coisa: uma almofada branca e felpuda, perdida no silêncio nos meios-dias em algum recanto mais sombrio da sala de visitas: uma sala de visitas à antiga moda patriarcal. Já não me lembro porque se chamava Joujou. No seu caso era um desses nomes irônicos que nos surpreendem não só em pessoas como em animais. Era gato e não gata. E gato másculo, grande, maduro, valente que de noite parecia um felpudo cão de raça que guardasse a casa. Enfrentava então cãos vadios e gatunos afoitos com uma superioridade magnífica não só de inteligência como de força. Guardava a casa como se fosse um cão não direi policial, mas militar e militante.
Escrito por LovCat às 02:15:44 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ferreira Gullar (Trechos do livro infantil: Um gato chamado gatinho)
Dizem que gato é muito ingrato e indiferente: só gosta da casa não gosta da gente.
Mas é puro boato. Quem isso inventou não gosta de gato. Pois o nosso Gatinho tem verdadeiro horror de ficar sozinho. Prefere estar junto do dono ou de alguém que lhe queira bem.
por ser muito cauteloso, tem no entanto um ponto fraco: é por demais curioso.
Por isso na Antiguidade, já se dizia - e é fato - que a curiosidade foi que matou o gato.
E entre os dois sentimentos vive o gato a hesitar mas chega sempre o momento em que ele escolhe arriscar.
Escrito por LovCat às 21:33:52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] SUAVE MARI MAGNO (Machado de Assis: Do livro: Ocidentais)
Lembra-me que, em certo dia, Arfava, espumava e ria, Nenhum, nenhum curioso Junto ao cão que ia morrer,
Escrito por LovCat às 19:12:41 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
«Um cão,
eu sempre disse,
é prosa;
Um gato
é um poema.»
Jean Burden
Escrito por LovCat às 02:34:13 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Gato (Alexandre O'Neill, Gato)
Que fazes por aqui, ó gato? Que ambiguidade vens explorar? Senhor de ti, avanças, cauto, meio agastado e sempre a disfarçar o que afinal não tens e eu te empresto, ó gato, pesadelo lento e lesto, fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada? Qual o crime de que foste testemunha? Que deus te deu a repentina unha que rubrica esta mão, aquela cara? Gato, cúmplice de um medo ainda sem palavras, sem enredos, quem somos nós, teus donos ou teus servos? )Que fazes por aqui, ó gato? Que ambiguidade vens explorar? Senhor de ti, avanças, cauto, meio agastado e sempre a disfarçar o que afinal não tens e eu te empresto, ó gato, pesadelo lento e lesto, fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada? Qual o crime de que foste testemunha? Que deus te deu a repentina unha que rubrica esta mão, aquela cara? Gato, cúmplice de um medo ainda sem palavras, sem enredos, quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Escrito por LovCat às 02:08:42 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Acerca de Gatos (Eugénio de Andrade)
Em Abril chegam os gatos: à frente
Escrito por LovCat às 02:04:11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O gato (Vasco Graça Moura)
Vejo atrás dos vidros no jardim o gato siamês que passa entre os girassóis.
na mesa da sala há mais girassóis num pote azul de faiança.
às cinco da tarde a janela, a porta, estão fechadas, mas
agora o gato vai passar na penumbra, entre os girassóis e a parede.
é um sombra rapidamente imaginada sobre a mesa,
que dita em ponto, de olhos límpidos, e percebe o jogo de espaços e que
já regressou ágil se salto felino ao corpo do gato repentino lá fora.
Escrito por LovCat às 01:57:51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nuno Júdice, Zoologia: O Gato
Um gato, em casa sozinho, sobe à janela para que, da rua, o vejam.
O sol bate nos vidros e aquece o gato que, imóvel, parece um objecto.
Fica assim para que o invejem — indiferente mesmo que o chamem.
Por não sei que privilégio, os gatos conhecem a eternidade.
Escrito por LovCat às 01:50:20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Hans Jürgen Heise, Bensafrim
A manhã dá aos gatos sapatinhos de orvalho
Escrito por LovCat às 01:48:18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Jorge Guíllen, Gatos de Roma
Os gatos, não vagabundos mas sem ter um dono, ao sol adormecidos em ruas sem passeios, ou esperando uma mão generosa talvez entre ruínas, os gatos imortais de um modo tão humilde, desafiam o tempo, permanecem suportando bons e maus momentos, nada sabendo da História que levanta edifícios ou os deixa abismar-se entre pedaços belos ainda, agora nobres pedestais dessas figuras: livres. Olhar fixo de uns olhos muito verdes, em solidão, em ócio e luz distante. Olhos semicerrados, olhos quase chineses, loira a pele em calma iluminada. Erguido junto a um mármore, resto sobrevivente de coluna, alguém feliz e pulcro alia-se com a pata bem lambida. gatos. Frente à História, sensíveis, sérios, sozinhos, inocentes.
Escrito por LovCat às 01:45:42 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Fernando Pessoa
Gato que brincas na rua Como se fosse na ama, Invejo a sorte que é tu Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais Que regem pedras e gentes, Que tens instintos gerais E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim, Todo o nada que és é teu. Eu vejo-me e estou sem mim, Conheço-me e não sou eu.
Escrito por LovCat às 01:36:47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Rainer Maria Rilke, Gato Preto
Um fantasma é ainda esse lugar onde, soltando um som, pousas a vista; mas neste pêlo negro o teu olhar mais atento se confunde e despista.
como um louco que, no seu paroxismo, às cegas bate o pé no escuro, tropeça, e a quem de súbito absorve o abismo almofadado da cela, e tudo cessa.
Todo o olhar que algum dia o tocou parece então em si dissimular, para sobre ele, ferino e agastado, provocar arrepios e adormecer.
Mas eis que volta, de novo desperto, o rosto, e, imóvel, o fixa no teu: e tu redescobres o teu próprio olhar no âmbar gemado das pedras dos seus olhos redondos: estás aprisionado como um insecto fóssil, já morto.
Escrito por LovCat às 01:33:28 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Dar Nome aos Gatos T.S. Eliot
*Bom A minha nova Bebê já tem todos os seus nomes: Os dados por mim Liz/Lisbela, e o outro só ela sabe... Escrito por LovCat às 01:25:46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Avesso das Coisas Drummond J Jardim: O jardim, convite à preguiça, exige trabalho infatigável. Jardineiro: torturador aceito e remunerado. M Macaco: Há no macaco uma inteligência não aproveitada que faz falta a muita gente. Máquina: Cansada de servir ao homem; a máquina enferruja e morre. Mar: Não é propriamente o mar que é imenso, mas a nossa insignificância diante dele.
Mundo: Difícil compreender como no vasto mundo falta espaço para os pequenos. N Natureza: A natureza não faz milagres; faz revelações.
A natureza é tão abrangente que comporta sua própria negação sem se importar com isso.
Escrito por LovCat às 00:35:02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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